O começo de um desafio: maternidade, pandemia e um só salário
Entre 2019 e 2020, minha vida virou de cabeça para baixo. Após o fim da licença-maternidade, perdi meu vínculo de trabalho. Pouco tempo depois, veio a pandemia e, junto com ela, uma crise financeira que afetou milhares de famílias — incluindo a minha.
De repente, nos vimos vivendo com apenas um salário. Um cenário de incertezas, apertos e muitas contas chegando. Tivemos que reavaliar tudo: do gasto no supermercado às despesas mais urgentes da casa. Mas o que mais nos pegou de surpresa — e desestabilizou o orçamento por meses — foi o custo de um item essencial: o leite especial que meu bebê passou a precisar.
Alergia à proteína do leite: o impacto financeiro inesperado
Como já contei neste outro artigo, meu filho foi diagnosticado com alergia à proteína do leite de vaca (APLV). A única opção segura era uma fórmula especial à base de arroz — e o preço era assustador.
Ele consumia de duas a três latas por semana, o que totalizava mais de mil reais por mês só com o leite. No início, comprávamos nas farmácias locais, que nem sempre tinham estoque. Depois, começamos a comprar em lote para conseguir desconto e, mais adiante, buscamos contato direto com o distribuidor da região. Isso ajudou um pouco, mas mesmo assim, o custo era praticamente insustentável para uma família vivendo com um só salário.
Nas maiores tempestades é que aprendemos a velejar. Quando a vida pede força, a organização é o leme que nos mantém no rumo certo..
SUS, vizinhança solidária e um alívio na hora certa
Foi então que, com a ajuda de uma vizinha (nossa verdadeira anja!), conseguimos incluir nosso filho em um programa de fornecimento de leite pelo SUS. Ele passou a tomar leite de soja infantil, uma alternativa mais acessível.
Financeiramente, foi um alívio enorme. Chegamos a um ponto em que simplesmente não conseguíamos mais arcar com a fórmula especial. Foi uma fase dolorosa, mas também o empurrão que precisávamos para uma mudança fundamental: nossa reorganização financeira.
Planejamento financeiro: o nosso ponto de virada
Colocando tudo na planilha: da dor à clareza
Com as finanças completamente fora de controle, sabíamos que o primeiro passo era organizar tudo na ponta do lápis. Criamos uma planilha de orçamento familiar, com um planejamento anual detalhado.
Mês a mês, anotamos:
- Todos os ganhos
- Gastos fixos
- Despesas variáveis
- Reservas para emergências
No começo, olhar para aquela planilha dava um aperto no peito. Parecia impossível sobreviver aquele mês — quanto mais os próximos. Mas aos poucos, ela foi nos mostrando o caminho.
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Eliminando dívidas e descobrindo nossos maiores gargalos
Ao preencher tudo com cuidado, conseguimos:
- Identificar as dívidas que mais nos sufocavam
- Traçar estratégias para eliminá-las, uma a uma
- Descobrir os maiores gargalos financeiros da casa
Começamos a reduzir os excessos com pequenas mudanças de hábito. A planilha virou nosso verdadeiro mapa de sobrevivência. Ela nos dizia exatamente quanto poderíamos gastar com mercado, farmácia, contas fixas e até com um lazer modesto.
O melhor de tudo? Conseguimos prever em qual mês teríamos um respiro no orçamento. E essa previsão virou nossa fonte de esperança.
Organização financeira é sobre controle, não perfeição
Essa fase nos ensinou que organizar as finanças na maternidade não significa viver uma vida perfeita e sem erros. Significa, sim, ter controle. Saber exatamente onde o dinheiro está indo.
Priorizamos o essencial. Cortamos o supérfluo. E, em troca, ganhamos algo muito mais valioso: o controle da nossa vida financeira.
Ver os números com clareza nos deu forças para seguir em frente. Saber que aquele caos era temporário e que, com organização, as coisas voltariam ao eixo, foi o que manteve nossa esperança viva.
Organização financeira também é cuidado com a família
Se tem uma coisa que essa experiência me ensinou, foi que cuidar da vida financeira é uma forma de cuidar da família. Não dá para viver só no improviso emocional. A planilha, o planejamento e as decisões conscientes fazem parte desse processo de proteção.
Então, se você está passando por um momento parecido, saiba: é difícil, mas é possível. E você não está sozinha.
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