Sem romantizar a maternidade — porque, convenhamos, nem sempre é um comercial de fralda com bebê sorrindo — posso afirmar com todas as letras: desde que meus meninos chegaram, trouxeram junto uma dose extra de força, garra e uma pitada de loucura boa para a minha vida.
Estar com eles, acompanhar cada pedacinho do crescimento, ver a inocência no olhar, receber o carinho desajeitado e os abraços apertados… tudo isso faz valer a pena até os perrengues mais cabeludos do dia a dia.
Mas tem coisas que a gente não aprende nos cursos de gestante. Algumas lições só vêm no susto — e no boleto.
“Às vezes, os momentos mais simples contêm as maiores lições. Na maternidade, a gente aprende na marra… e com muito amor.”
Lembro como se fosse ontem: eram 5h da manhã quando acordei meu marido e soltei a bomba: “O Léo tá chegando!” Assim, de surpresa, com 38 semanas. Depois daquele dia, minha vida virou de cabeça pra baixo — e eu nem tive tempo de passar um café!
Na maternidade, eu só queria saber de ir embora. Já estava exausta de ficar presa no quarto, sem saber se era dia ou noite. Mas bastou pisar em casa, por volta das 20h, e o Léo começou a chorar como se o mundo estivesse acabando. Não pegava o peito, não parava de chorar. Cólica? Fome? Fralda vencida? Só Deus sabia.
Minha vontade? Voltar correndo pra maternidade. Lá ele mamava bonitinho! Mas fui guerreira: corri pro YouTube, assisti de novo os vídeos sobre pega correta e cuidados com recém-nascido. Foi difícil, mas deu certo. E, olha, os meses passaram voando! Cada fase era um susto diferente… mas um susto cheio de amor.
Aí começaram os temidos picos de crescimento. Era batata: enjoo, choradeira, necessidade de colo 24 horas por dia. Mas se teve algo que ele nunca ficou sem foi amor, carinho e presença. Ele chorava? Eu já estava lá. Porque, pra mim, se um bebê chora, alguma coisa tem — e quase sempre, tinha mesmo!
O Léo sempre foi muito carinhoso e esperto. Começou a falar antes de completar um ano. E depois que aprendeu a dizer “mamãe”, nunca mais parou. É “mãe pra cá”, “mãe pra lá”, “mãe olha isso”, “mãe olha aquilo”… até no banho eu ouço um “mamãe!” ecoando na minha cabeça.

A adaptação à escolinha foi outro capítulo. Ele é super apegado a mim. Pra ficar com o pai ou a avó? Um drama! Mas, graças a Deus, hoje ele já está bem mais independente (um pouco… rs).
O Léo nasceu em 2019. Foi um bebê planejado: enxoval completo, móveis montados, fraldas até o teto e quartinho arrumado! Seguindo o conselho de um casal amigo, deixamos ele dormir no nosso quarto (sei que tem quem discorde, mas pra gente funcionou muito bem!).
Os primeiros seis meses correram bem. Qualquer sinalzinho de coisa errada, eu já estava na pediatra. Mas aí chegou a temida introdução alimentar… e com ela, os nossos maiores perrengues!
De repente, ele parou de dormir, parou de comer, só chorava. A pediatra achou que ele estivesse com fome e sugeriu fórmula com aveia antes de dormir. Testamos. Nada. Trocou a fórmula. Nada de dormir. Fez exames e, então, veio o diagnóstico: alergia à proteína do leite de vaca (APLV).
Trocamos o leite pela fórmula de arroz — e foi como mágica! Meu menino deu um salto no desenvolvimento.
Eu, que morria de medo de dar fórmula, vi que aquilo era o melhor pra ele. Só que… (sempre tem um “só que”, né?) o orçamento não estava nem um pouco preparado para isso.
Minha licença maternidade estava acabando, meu contrato com o Estado também, e a casa inteira passou a depender só do salário do meu marido. A lata do leite especial era pequena, não tinha versão econômica, e ele tomava duas por semana. No fim do mês? Mais de mil reais só em leite! 😱
Pra piorar, o gosto da fórmula era terrível. Léo só aceitava se batêssemos com frutas, tipo vitamina — ou seja, mais gastos!
Entramos no modo “sobrevivência”. Deixamos algumas contas pra depois, recorremos a empréstimos… E, como bênção divina, tivemos amigos que nos ajudaram com algumas latas (eternamente grata!).
E aí veio o milagre da vizinhança: uma vizinha, que também tinha um filho com alergia, contou que o SUS fornecia leite de soja pra crianças com APLV até os 3 anos.
Dois meses antes de ficarmos realmente sem condições de comprar o leite, ela nos falou do programa. Corremos pro posto, fizemos a avaliação e… na última semana da última lata, recebemos a ligação da Policlínica. Consultamos com o alergista e o nutricionista e conseguimos o leite fornecido pelo SUS.
Foi a mão de Deus. Literalmente.
E graças a Deus, o leite dele nunca faltou.
Foi aí que caiu a ficha: a importância do planejamento financeiro na vida de uma família.
Porque, olha… imprevistos acontecem — e quando se tem criança pequena em casa, a chance de algo inesperado surgir é de 100%! A gente nunca sabe o dia, a hora ou o motivo, mas pode ter certeza: alguma coisa vai aparecer.
Por isso, se você já tem um filho ou está pensando em ter, comece a construir uma reserva financeira, mesmo que seja pequena. Pode parecer pouco agora, mas na hora do aperto, faz toda a diferença.
Às vezes, é exatamente ela que garante o leite, a consulta médica ou aquele remédio urgente. E nessas horas, ter um respiro no meio do caos é um alívio e tanto.
Se você leu até aqui, obrigada por compartilhar esse pedacinho da minha história. Ser mãe é uma mistura de caos, cansaço e amor infinito — e mesmo nos dias mais difíceis, eu não trocaria essa jornada por nada nesse mundo.


Deixe um comentário